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Depressão e a Auto-Afetividade



A depressão é uma doença emocional caracterizada pelo estado de auto-afetividade mórbida e pelo direcionamento da energia psíquica para algo do próprio mundo interno. A auto-afetividade não é auto-estima, mas um deslocamento da energia que deveria ser dirigida para a vida externa e é desviada para um conflito pessoal, cuja saída não é logicamente encontrada. É uma espécie de canalização do impulso de viver para o estado de ficar remoendo pensamentos vinculados a um determinado foco. Parece uma obsessão em torno de um ou mais temas relacionados à determinada situação conflituosa, cuja saída não é encontrada. Ao mesmo tempo em que se trata de uma sucumbência do eu ao inconsciente, é também uma forma de proteger-se de alguns de seus conteúdos. Diante da impossibilidade de lidar com algum conflito, não sentindo energia para tal enfrentamento, o eu se protege, destinando suas forças na autodefesa, a fim de permanecer íntegro. 
É comum pessoas em estado de pré-depressão ou deprimidas afirmarem que precisam gostar de si mesmas, se amar aumentar a auto-estima. Algumas pessoas entram em depressão tentando se proteger demais contra o que não aceitam ou não querem admitir que esteja acontecendo. Vivem dando presentes a si mesmas para compensar a fragilidade do eu. Confundem a necessidade de valorização pessoal pelo reconhecimento das próprias competências com uma excessiva afetividade ao eu. Essa afetividade difere daquela dirigida aos outros pela inconsciência com que é feita. Paradoxalmente, a pessoa pensa que não gosta de si mesma ou que deveria estimar-se mais, porém, seu desejo de receber afeto, antes buscado pela doação de carinho a outrem, agora, quando consegue, é externado apenas verbalmente e não é concretizado. 
Em depressão ou pré-depressão, as pessoas sentem dificuldade em externar concretamente a afetividade às pessoas queridas, direcionando-a a si mesmo, muitas vezes, de forma inconsciente. O carinho e a atenção, antes dispensados aos entes queridos, vão gradativamente minguando num processo de auto-erotização imperceptível. Auto-erotização deve ser entendida como direcionamento de energia psíquica a si mesmo. Os pensamentos passam a circular em circuito fechado, num processo de auto-piedade e culpabilidade excessiva. Em alguns casos a afetividade é dirigida a determinada pessoa ou grupo de pessoas (filhos, pais, sobrinhos, amigos, etc.) de forma excessiva compensatória. Cuidados excessivos e mimos exagerados àquelas pessoas, são típicos. Nos casos de separação, a afetividade, antes direcionada para a relação marital, passa a ser dirigida a inconscientes autônomos. Inconscientemente, a pessoa passa a se colocar na posição de “coitadinha” ou “vítima do destino”, na espera da atenção e piedade alheias. Desejam ser acolhidas, compreendidas e fortalecidas em suas razões. Negam, mas querem a atenção alheia. Mendigam afeto e, ao mesmo tempo, juram não ligar para as pessoas à sua volta. 

Trecho do Livro "Alquimia do Amor - Adenáuer Novaes"

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